{"id":2942,"date":"2024-07-29T11:45:11","date_gmt":"2024-07-29T14:45:11","guid":{"rendered":"https:\/\/interessatb.com.br\/?p=2942"},"modified":"2024-07-29T11:53:35","modified_gmt":"2024-07-29T14:53:35","slug":"entre-planejar-e-executar-ha-no-meio-um-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/interessatb.com.br\/?p=2942","title":{"rendered":"Entre planejar e executar, h\u00e1 no meio um mar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"254\" height=\"278\" src=\"http:\/\/interessatb.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2732\" style=\"object-fit:cover;width:87px;height:94px\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><br>Jacir Venturi*<\/p>\n\n\n\n<p>Se nos permitirmos mergulhar na fantasia, sem nos dissociarmos da realidade, nenhum g\u00eanero liter\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o intenso quanto as f\u00e1bulas, e por isso sempre mereceu o devido apre\u00e7o em todos os tempos e de todos os povos. Para Jean de La Fontaine, a f\u00e1bula comporta duas partes: o corpo e a alma, ou seja, a narrativa e a moralidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma mir\u00edade de escritores se ocupou de criar ou reescrever f\u00e1bulas, g\u00eanero no qual se notabilizaram Esopo (um escravo que viveu no s\u00e9culo VI a.C., na Gr\u00e9cia), o franc\u00eas La Fontaine (1621-1695) e mais recentemente George Orwel (1903-1950), autor de \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o dos Bichos\u201d e \u201c1984\u201d. Nessas obras, Orwell faz uma reflex\u00e3o: se um homem \u00e9 o lobo de outro homem, \u00e9 porque um deles faz o papel de cordeiro, ou seja, quando algu\u00e9m se resigna a ser v\u00edtima, est\u00e1 fortalecendo o predador.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, uma parte dessas narrativas t\u00e3o apraz\u00edveis \u00e9 enriquecida pela sabedoria popular, na qual muito se cria e se inova. Fruto dessa inventividade, a ess\u00eancia das duas f\u00e1bulas a seguir nos foi repassada oralmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Rato Planejador<\/strong><br>Dois ratos caminhavam despreocupados, e o primeiro, julgando-se o professor de Deus, gabava-se de seu doutorado em Planejamento Estrat\u00e9gico obtido nos EUA, embora nunca tivesse administrado um carrinho de pipoca. Enquanto isso, um gato, fazendo tocaia, num salto abocanhou o segundo rato sob sua pata. Aterrorizado, o rato capturado implorou ao companheiro planejador:<br>\u2014 O que est\u00e1 fazendo a\u00ed parado!? Ajude-me!<br>\u2014 Calma, estou planejando!<br>\u2014 Planejando o qu\u00ea!? Socorro!<br>\u2014 J\u00e1 sei: transforme-se em um pit bull!<br>\u2014 Mas como?<br>\u2014 Ora, eu planejo, voc\u00ea executa!<\/p>\n\n\n\n<p>Moral da hist\u00f3ria: entre planejar e executar, h\u00e1 no meio um vasto oceano, pois n\u00e3o \u00e9 incomum encantar-se com as ideias e dar pouca \u00eanfase ao \u201cfazedor\u201d. Ningu\u00e9m deve minimizar a import\u00e2ncia de um consistente planejamento, mas o que mais deve ser valorizado \u00e9 o maker, aquele que efetivamente resolve os problemas na pr\u00e1tica.No mundo ideal, o sucesso de um empreendimento, depende de um bom planejamento seguido de uma boa execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Gato que Late<\/strong><br>Nas tramas do imagin\u00e1rio, as f\u00e1bulas de gato e rato sempre tecem boas li\u00e7\u00f5es: um dia \u00e9 da ca\u00e7a, outro \u00e9 do ca\u00e7ador. Certa vez, um rato ousado decidiu aventurar-se al\u00e9m de seu ref\u00fagio, enfim queria ganhar o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto explorava, um latido cortou o sil\u00eancio. \u201cUm c\u00e3o por perto, o gato deve estar distante\u201d, pensou aliviado o rato. Mas, em um instante, um miado astuto ecoou, e o gato, num bote certeiro, capturou sua presa. Entre os dentes do felino, o rato indagou surpreso:<br>\u2014 Desde quando voc\u00ea \u00e9 gato que late?<\/p>\n\n\n\n<p>Moral da hist\u00f3ria: em tempos de globaliza\u00e7\u00e3o, dominar mais de uma linguagem \u00e9 vital para a sobreviv\u00eancia. Se de um lado se pode condenar a dissimula\u00e7\u00e3o, de outro se premia a habilidade, a ast\u00facia, o planejamento, para se atingir o fim.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pensamentos da Sabedoria Cl\u00e1ssica ou Popular<\/strong><br>\u201cO trabalho de destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pido, f\u00e1cil e recreativo; o labor da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 lento, \u00e1rduo e ma\u00e7ante. Esta \u00e9 uma das li\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX. Tamb\u00e9m \u00e9 uma raz\u00e3o pela qual os conservadores sofrem desvantagem quando se trata de opini\u00e3o p\u00fablica. Sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira, mas enfadonha; a de seus oponentes \u00e9 excitante, mas falsa.\u201d Roger Scruton (1944-2020), fil\u00f3sofo e escritor ingl\u00eas, um c\u00e2none do pensamento conservador contempor\u00e2neo, autor de aproximadamente 50 livros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO desejo por sua natureza \u00e9 dor; sua realiza\u00e7\u00e3o traz rapidamente a saciedade\u201d.<br>Arthur Schopenhauer (1788-1860), fil\u00f3sofo alem\u00e3o, afirmava que o mundo \u00e9 um vale de l\u00e1grimas, onde a dor, a doen\u00e7a, o t\u00e9dio e o sofrimento s\u00e3o a norma, e termina com o inescap\u00e1vel destino de que, \u201cpara a maioria dos homens, a vida n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um combate perp\u00e9tuo pela pr\u00f3pria vida, que ao final ser\u00e1 derrotada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNunca desperdice uma oportunidade para um elogio sincero.\u201d<br>Jacir Venturi (n.1949),professor de matem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>(<em>*) Jacir J. Venturi foi professor e diretor da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e Superior. \u00c9 Cidad\u00e3o Honor\u00e1rio de Curitiba. Autor de 4 livros.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Jacir Venturi* Se nos permitirmos mergulhar na fantasia, sem nos dissociarmos da realidade, nenhum g\u00eanero liter\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o intenso quanto as f\u00e1bulas, e por isso <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/interessatb.com.br\/?p=2942\" title=\"Entre planejar e executar, h\u00e1 no meio um mar\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":2943,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,9],"tags":[],"class_list":["post-2942","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunistas","category-colunista-jacir-venturi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2942","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2942"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2944,"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2942\/revisions\/2944"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/interessatb.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}