{"id":3179,"date":"2025-10-20T09:07:49","date_gmt":"2025-10-20T12:07:49","guid":{"rendered":"https:\/\/interessatb.com.br\/?p=3179"},"modified":"2025-10-20T09:07:49","modified_gmt":"2025-10-20T12:07:49","slug":"cigarros-eletronicos-a-nova-face-de-um-velho-vilao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/interessatb.com.br\/?p=3179","title":{"rendered":"Cigarros eletr\u00f4nicos: a nova face de um velho vil\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"254\" height=\"278\" src=\"http:\/\/interessatb.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Jacir-J-Venturi-Mercury.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-971\" style=\"width:115px\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Jacir J. Venturi*<\/p>\n\n\n\n<p>Durante d\u00e9cadas, o cigarro foi s\u00edmbolo de charme e status, mas o glamour se dissipou diante da dura realidade: fumar \u00e9 a principal causa de mortes evit\u00e1veis no mundo. O Brasil, refer\u00eancia mundial em campanhas antitabagistas, viu o n\u00famero de fumantes adultos cair de 34,8% nos anos 1980 para 9,3% em 2023. Por\u00e9m, em maio de 2025, esse \u00edndice saltou para 11,6%, aumento observado tanto entre homens (de 11,7% para 13,8%) quanto entre mulheres (de 7,2% para 9,8%). Um alerta preocupante!<\/p>\n\n\n\n<p>O vil\u00e3o da vez? Os cigarros eletr\u00f4nicos, tamb\u00e9m chamados de vapes, que com design colorido, aromas adocicados e apelo \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o seduzem especialmente os jovens, com estimativas apontando que aproximadamente tr\u00eas milh\u00f5es de brasileiros j\u00e1 os utilizam. Diferentemente dos cigarros tradicionais, funcionam por vaporiza\u00e7\u00e3o de l\u00edquidos com nicotina (com seu poder viciante) e aditivos t\u00f3xicos. Mesmo sem haver combust\u00e3o, liberam-se part\u00edculas e metais que podem causar inflama\u00e7\u00e3o nos sistemas respirat\u00f3rio e cardiovascular. Ou seja, o cigarro convencional perdeu o glamour, mas o poder viciante da nicotina encontrou um novo ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na perspectiva da conten\u00e7\u00e3o de danos e enfrentamento desse crescimento no consumo, estamos diante de um dilema, uma vez que alguns estudos indicam que a concentra\u00e7\u00e3o de nicotina nos usu\u00e1rios de vapes pode ser superior \u00e0 dos fumantes tradicionais, por\u00e9m outros estudos apontam que, quando oriundos de fabricantes id\u00f4neos e bem regulamentados, poderiam causar menos danos que os cigarros convencionais, al\u00e9m de tolher o mercado clandestino. Como met\u00e1fora da escolha de Sofia, n\u00e3o h\u00e1 escolha isenta de riscos \u2014 ambas apresentam consequ\u00eancias negativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, no Brasil, a Anvisa reafirmou a ampliou a proibi\u00e7\u00e3o total (aplicada desde 2009) da fabrica\u00e7\u00e3o, importa\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de vapes, sob a justificativa da aus\u00eancia de evid\u00eancias cient\u00edficas sobre seguran\u00e7a e efic\u00e1cia, al\u00e9m do risco, j\u00e1 comprovado, de aumento do consumo entre jovens. Nos Estados Unidos, a FDA (ag\u00eancia reguladora similar \u00e0 Anvisa brasileira) adota uma abordagem oposta: permite a comercializa\u00e7\u00e3o, mas apenas ap\u00f3s rigorosa an\u00e1lise cient\u00edfica dos produtos, dos quais, at\u00e9 agora, 39 foram aprovados, com sabores restritos a tabaco e mentol (sabores doces e frutados s\u00e3o proibidos por atra\u00edrem jovens). O objetivo \u00e9 claro: mais controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre este limbo sombrio.<\/p>\n\n\n\n<p>Regulamentar n\u00e3o \u00e9 liberar: \u00e9 controlar, fiscalizar e tributar. No Brasil, o consumo cresceu em propor\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas, e a proibi\u00e7\u00e3o, claramente ineficaz, tem gerado um mercado clandestino, sem gera\u00e7\u00e3o de empregos, sem arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, com mais risco de toxidade e sem controle sanit\u00e1rio. Como bem pontua a farmac\u00eautica Alessandra Bastos, ex-diretora da Anvisa: \u201cNo Brasil, n\u00e3o sabemos o que as pessoas est\u00e3o consumindo e o \u00fanico beneficiado \u00e9 o crime organizado.\u201d Cabe lembrar que, no pr\u00f3prio Brasil, o sucesso passado no enfrentamento ao consumo de cigarro se deu pela via educativa e regulat\u00f3ria, n\u00e3o pela proibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds j\u00e1 amarga um preju\u00edzo anual de R$ 125 bilh\u00f5es com o tabagismo, dos quais R$ 50,3 bilh\u00f5es referem-se a gastos m\u00e9dicos pelo SUS, enquanto a arrecada\u00e7\u00e3o com impostos sobre cigarros \u00e9 de apenas R$ 15 bilh\u00f5es. A conta n\u00e3o fecha \u2014 e o contribuinte, fumante ou n\u00e3o, paga a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso ampliar o debate e as campanhas educativas n\u00e3o apenas sobre os malef\u00edcios do cigarro tradicional, mas tamb\u00e9m sobre os riscos disfar\u00e7ados de modernidade, com envolvimento e aten\u00e7\u00e3o de pais, educadores, pol\u00edticos, gestores, m\u00eddia e ci\u00eancia, pois a sa\u00fade p\u00fablica e a sociedade n\u00e3o podem ser ref\u00e9ns da omiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ignorar o problema \u00e9, sem d\u00favida, a pior decis\u00e3o e cabe ao Congresso abrir espa\u00e7o para um debate p\u00fablico qualificado, ouvindo especialistas e se inspirando na experi\u00eancia de mais de 80 pa\u00edses que permitem a comercializa\u00e7\u00e3o, mas com restri\u00e7\u00f5es \u2014 entre eles Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia, Reino Unido, Su\u00e9cia, Canad\u00e1, Fran\u00e7a e Nova Zel\u00e2ndia. Imprescind\u00edvel, tamb\u00e9m,\u202fque toda a sociedade se mobilize para dar mais luz\u202fao problema.\u202f<\/p>\n\n\n\n<p>(*) <em>Jacir J. Venturi, membro do Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o do Paran\u00e1, foi professor e gestor de escolas p\u00fablicas e privadas, da UFPR, PUCPR e Universidade Positivo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Jacir J. 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